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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

NEUROCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO : ALGUNS INFUNDADOS NEUROMITOS DE CONTORNOS DIDÁCTICO-PEDAGÓGICOS

 

 

 

 

 BREVE RESENHA DA NOSSA ANÁLISE DE UM TEXTO DE REFERÊNCIA, RECENTEMENTE PUBLICADA PELA OCDE E PELO CERI , SOB O NOME DE "COMPREENDER O CÉREBRO : NASCIMENTO DE UMA CIÊNCIA DA APRENDIZAGEM"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cumprimentos cordiais a todos,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

os SurrealHumanity , na continuidade das análises levadas a cabo no decurso desta semana em busca de boas e inovadoras práticas pedagógicas - com especial tendência para o ensino das línguas -, consideraram como oportuno, neste dia 17 de Abril, a menos de uma semana da divulgação oficial do resultado do Concurso BiblioFilmes , a coincidir com o Dia Mundial do Livro, trazer a lume algumas das recentes conclusões alcançadas, no âmbito do estudo levado a cabo pela OCDE  e pelo CERI , ou Centro para a Investigação e Inovação no Ensino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Levantando um pouco o véu, podemos, desde já, adiantar que a chave conceptual deste texto se prende com o chamado neuromito " : ideias fantasistas, ainda que retomadas de quando em quando - vai se lá saber porque razões -, que vão desde o típica dicotomia "cérebro esquerdo" versus "cérebro direito", passando pela aceitação quasi-dogmática de um determinismo do desenvolvimento, nos primeiros anos de vida das crianças, e culminando nas "intrigantes" diferenças entre sexos e a mais que debatida questão da via da aprendizagem multilingue.

 

 

 

 

 

Desde que há memória, o Homem - sob o Novo Acordo, Omem - a par da sua insatisfeita natureza, muitas vezes se tem contentado em dar por garantidas algumas explicações, demasiado céleres e simplistas, a maior parte das quais se vem, depois mais tarde, a revelar absolutamente insustentável, dada a absurda futilidade das suas extrapoladas interpretações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PRIMEIRA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"PARA O CÉREBRO HUMANO, TUDO SE

JOGA ATÉ À IDADE DE TRÊS ANOS"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Neste domínio em concreto, as demarcadas conceptualizações de matriz anglo-saxónica são conhecidas de todos nós. Bastaria, para o confirmar, mais uma vez a rebate, digitar num qualquer motor de busca, por exemplo, a expressão inglesa Birth to three " e, num ápice, seríamos aconselhados a adquirir toda uma multifacetada gama de produtos para potenciar a " máxima inteligência". A razão para este credo prende-se com a existência faseada de alguns fenómenos psicológicos específicos, que, efectivamente, tendem a ocorrer nesta faixa etária do desenvolvimento das crianças. Em abono da verdade e das limitações epocais da ciência humana, fomos sendo encorajados a alimentar um dogma neuronal : o número máximo de neurónios seria determinado à nascença, visto que a sua regeneração jamais existiria. Hoje, sabemo-lo, de forma mais clara, as coisas não são tão lineares, como à primeira vista se poderia fazer querer. A leitura feita no passado, de facto, mostrou-se bastante incompleta ; vejamos melhor porquê ...

 

 

 

 

Ora. a componente fundamental do tratamento da informação, no cérebro humano, é a célula nervosa, vulgarmente designada de neurónio. Cada um deles, por sua vez, pode conectar-se com milhares de outros, seus congéneres informativos, o que permite a circulação massiva dos data em múltiplas direcções, em simultâneo. Através das ligações entre os diferentes neurónios - apelidadas de sinapses -, os impulsos nervosos podem circular, de célula em célula, e, deste modo, servir de suporte ao desenvolvimento das competências e à capacidade de aprendizagem.

 

 

Assim, torna-se evidente que o processo de aprendizagem se encontra, inextricavelmente, ligado à criação de novas sinapses, e, já agora, ao reforço ou amortecimento das existentes. Um facto é indesmentível, comparado ao número de sinapses de um adulto, o de um recém-nascido é bastante inferior ; porém, e quiçá o mito tenha sido gerado a partir daqui, passados apenas dois meses, a densidade sináptica do cérebro da criança aumenta de forma exponencial, chegando mesmo a ultrapassar a de um adulto - alcançado o apogeu, por volta dos dez meses. Vivido esse tempo, inicia-se um largo péríodo de declínio regular, até à idade de dez anos, altura em que o "número adulto de sinapses" é atingido.

 

 

 

 

 

Ainda hoje, em alguns meios de proa académica, vagueia a ideia, não sabemos se importada de algum (pseudo-)elitismo anglo-saxão, que a pujança criativa, raramente, ultrapassa o limite tangencial dos trinta anos ; um pouco ao jeito da conhecidíssima carreira de futebolista - de qualquer modo, como as diferenças salariais, num e noutro caso, se mostram abissais, estamos a crer que o "futebolês" se terá transfigurado em novo mito... ou não ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para pôr termo a este primeiro ponto, voltaríamos a sublinhar, de novo, a ideia de que o cérebro humano conserva intacta a sua plasticidade neuronal, e também sináptica, ao longo de todo o processo vital. O estudo levado a cabo por Terry et al, assegura-nos, nesta matéria, que o número total de neurónios em cada zona do córtex cerebral não depende da idade do indivíduo em causa, até porque existem certas regiões do cérebro - nomeadamente, o hipocampo, uma das componentes cerebrais implicadas no processo de memória espacial e de navegação, segundo Burgess et O´Keefe, 1996 - capazes de contribuir para a geração de novos neurónios ao longo da vida ; seja como for, "a corpulência dos neurónios", essa sim, é manifestamente diferente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SEGUNDA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"APENAS UTILIZAMOS 10 % DO NOSSO CÉREBRO"

 

Muitos são os que já ouviram falar, certamente, do grande pedagogo francês, Jean Piaget, um dos intelectuais que mais influenciou a organização dos sistemas escolares, no decurso do derradeiro quartel do século passado. Segundo Piaget, a criança apresenta diversos períodos específicos de desenvolvimento cognitivo, estando apta a ler e a contar, apenas por volta dos 6 a 7 anos de idade. Recordamos à Blogosfera que em todos os países membros da OCDE, no que à escrita, leitura e aritmética concerne, a iniciação das crianças se dá, precisamente, por esta altura. Contrariando, talvez, o famijerado matemático, Richard Dedekind, para quem os números naturais teriam algo de co-natural - género de um a priori à la Kant -, Jean Piaget entendia que, neste particular domínio, o nascituro não trazia consigo nehuma espécie de representação do conceito de número. Stanislas Dehaene, a nossa figura da semana, provou, nos seus trabalhos de 1997, que Piaget estava errado ; e mais, Gopnik et al, 2005, inclinam-se a ver num recém-nascido, alguém muito mais dotado do que até aqui se supunha. As novas técnicas de mapeamento cerebral constituem, afinal de contas, o ónus da tão desejada prova. Contrariando todas as obsoletas concepções, dos 10% ou dos 30% funcionais, hodiernamente, os neurocientistas convergem, quanto à máxima funcionalidade do cérebro humano, contrapondo aos referidos valores, o número redondo de 100% !

 

 

 

 

 

 Mesmo durante o sono, as diversas zonas cerebrais mantêm os seus discretos níveis de actividade. Quanto à verosimilança de uma fértil plasticidade de renovação neuronal, temos a nosso favor o universal processo de selecção natural, ao ponto de neurónios desgastados e improdutivos se verem auxiliados, por outros emergentes e cheios de vitalidade. Se é bem verdade que o cérebro humano apenas corresponde a 2% do peso total do corpo humano, não é menos certo que consuma, cerca, de 20% da energia disponível - perdoem-nos a imagem, mas um patrão tem mesmo muito trabalho.

 

 

TERCEIRA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"O CÉREBRO DE UMA CRIANÇA APENAS PODERÁ APRENDER UMA LÍNGUA DE CADA VEZ"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Actualmente, cerca de metade da população mundial - e espera-se que este número venha a aumentar no decorrer dos próximos tempos - fala, pelo menos, duas línguas ; na maior parte dos casos, a língua materna e o inglês - ainda que varie de situação para situação. Um dos mitos mais inculcados pelas mentes dos nacionalismos exclusivistas, consistia em crer que a aprendizagem de uma língua, elevada a patamares superiores, acabaria por levar a que o estudo de uma outra língua tivesse de ser, forçosamente, secundarizado ; diríamos, mesmo, quase inviabilizado, pelos fracos resultados a colher.

 

 

 

Ainda hoje, se mantém incólume, nalguns sectores da sociedade, o velho princípio de que, antes de mais, se deve proceder ao estudo independente da língua materna ; qualquer outro cenário paralelo, teria de cair por terra.  Naturalmente que as verdadeiras razões tinham a ver com questões e interesses de ordem cultural e política, tão em voga na época. No entanto, coibamo-nos de cair na tentação de querer encarar o mito nacionalista linguista de novecentos, disseminado pelo movimento romântico herderiano, como exclusivo de um passado, para sempre, enterrado nos confins da história ; hoje mesmo, interrogamo-nos se não estaremos na eminência de um outro mito global, de laivos darwnistas ou spencerianos, quase nos antípodas, em que as próprias línguas maternas são feitas vítimas de um processo geopolítico de hegemonia mundial, em benefício de uma das suas variantes...

 

 

 

A montante das nossas convicções pessoais sobre o assunto, um aspecto nos parece indiscutível : qualquer um de nós que tenha compreendido um determinado conceito, numa dada língua, é, com toda a certeza, capaz de o perceber numa outra língua ou dialecto. Olhando de frente a realidade que nos rodeia, facilmente constatamos que as pessoas multilingues, a dada altura, já nem tão pouco se lembram qual o idioma através do qual incorporaram um dado conceito ; por outro lado, estudos levados a cabo apontam o multilinguismo como um fenómeno potenciador de uma  aquisição mais ampla ao nível das múltiplas competências linguistícas.

 

Aquilo que o presente estudo acaba por recomendar, no âmbito da aprendizagem das línguas, passa, fundamentalmente, por sugerir aos sistemas educativos, em geral, que optem por uma linha de orientação bem alicerçada em boas práticas, já implementadas e com provas dadas, isto sem descurarem os novos estudos complementares sobre o funcionamento do cérebro humano, cujas vias de investigação, se espera, continuem a merecer os apoios necessários da parte dos representantes eleitos.

 

 

QUARTA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"OS CÉREBROS DO HOMEM E DA MULHER

SÃO RADICALMENTE DISTINTOS"

 

 

 

 

A olhar para os resultados do PISA 2003, por exemplo, talvez nos sentíssemos inclinados, ou mesmo tentados, em tirar a simples ilação de que o sexo masculino se dá melhor com as matemáticas, ou com o raciocínio lógico-dedutivo ; enquanto que, da parte das mulheres, a tendência recairia sobre um melhor domínio da língua. Alguns estudiosos mais curiosos por esta "imortal guerra dos sexos", chegaram mesmo a confirmar a existência de diferenças ao nível da morfologia e da própria funcionalidade : no caso do cérebro do homem - ou omem -, o volume cerebral é maior ; em relação à mulher, mal o jogo complexo da linguagem tenha dado os seus primeiros passos, o que se evidencia é o facto da zona afecta à linguagem ser activada com muito maior intensidade. De qualquer das formas, pareceu-nos, neste quadro de diferenciação sexual, que estamos muito longe ainda de poder edificar uma opinião sólida e credível.

 

Bom, caros amigos criativos, de uma coisa podemos todos estar bem certos e tranquilos : por um lado, a memória humana não é ilimitada, dada a exigência "materializável e mensurável" da sua finitude de armazenamento ; por outro, saímos daqui com a pretensão de ter esclarecido a Blogosfera quanto ao facto de a  nossa memória  não obedecer, em regime de exclusividade, a um só tipo de fenómeno, até porque não se localiza concentrada num único ponto isolado do nosso cérebro.

 

 

 

Enquanto Surreais convictos que procuramos ser, não podemos deixar de terminar com mais um delicioso apontamento final : a forma de compensar essa finitude cerebral não deve ser encarada, por nenhum de nós, como uma tragédia racional ; muito menos, deverá, em estilo de resposta vingada, na qualidade de interface homem-máquina, almejar proceder à criação de mecanismos de compensação cerebrais exógenos ao corpo humano, tal qual "implantássemos mais um determinado número de gigas de memória, à nossa escolha, e a uma velocidade de processamento de informação a rondar o máximo permitido". Desde sempre, nós, humanos, reais e surreais, dispusémos de mecanismos naturais de compensação, nomeadamente, por intermédio da dita memória visual ou fotográfica - um termo já mais recente - ; falamo-vos da "memória eidética" ...  Nunca a ignorem, por favor !

 

              Cérebros Criativos, um abraço dos Cérebros Surreais !

 

    Texto dos SurrealHumanity , adaptado de : Capítulo 6 "Dissiper les neuromythes de l´ouvrage de réference : Comprendre le cérveau : Naissance d´une science de lá aprentissage", OCDE &  CERI  2007.

 

                   Para mais informações, clique em : ESTUDO .

 

 

sinto-me: UM MITOS POR RACIONALIZAR OOOH
publicado por $urrealHumanity às 22:15
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